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Conversíveis


Cinco modelos para abrir mão de um teto sobre a cabeça e fazer da estrada uma diversão

 

Por Ulisses Cavalcante | Fotos Marco de Bari | 16/01/2014

Conversíveis

 

Esta é a história de cinco carros que não têm teto, mas estão longe de não ter nada. São todos feitos com muito esmero e nem passam perto do número zero. Por isso, se casa sem chão não é bom, um carro sem teto é ótimo. Conversíveis são raros nas ruas. Andar com um na cidade é uma experiência de emoções embaralha- das, que amedrontam e libertam. Na estrada, seu habitat, devolvem o prazer de dirigir a quem se habituou com um trânsito claustrofóbico e robótico. Reunimos cinco representantes dessa espécie, de segmentos e preços diferentes. Unidos pela capota rebatível e pela origem europeia, todos divertem à sua maneira, com qualidades e limitações distintas. Do Fiat 500 ao F-Type, mudam a potência e a quantidade de dígitos no preço. Qual deles é para você?

 

JAGUAR F-TYPE

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O maior problema do F-Type é não vir com asfalto de série. Ao dirigi-lo, você vai sentir falta de centenas de quilômetros de ruas de piso liso, um artigo raro aqui no Brasil.

Rebaixado, com suspensão firme e rodas de 20 polegadas, a buraqueira tupiniquim faz mal à saúde do Jaguar. Só na estrada é possível recuperar peque- nos prazeres a bordo do esportivo, como assistir ao ponteiro da rotação do motor apostando corrida com o do velocímetro. Eles varrem os instrumentos com o mesmo vigor com que o ronco do motor invade a cabine. Ruído, aliás, é assunto tratado com prioridade. Um botão no centro do console permite ao motorista intensificar o som do escapamento. O comando aciona um dispositivo eletromecânico que modifica a trajetória dos gases na tubulação, amplificando a sensação de esportividade.

A versão conversível é tão emblemática que foi lançada antes do cupê. Avaliamos o V6 S (500 500 reais), entre o V6 (429 900) e o V8 (599 900). Na pista, o irmão do meio foi de 0 a 100 km/h em 5 segundos, ante os 4,2 obtidos com o V8 S.

De todos os sem teto, o Jaguar é o mais atraente e exclusivo. No dia a dia, não fez feio em consumo, marcando 8 km/l na cidade e 11 na estrada, mas os bons números não compensam a falta de praticidade: não é fácil de estacionar e ele sofre na entrada e saída de rampas, por exemplo. Na rua, atrai tantos olhares que a tarefa de desviar do trânsito fica mais complicada, já que os motoristas querem vê-lo.

Com a capota baixa, o F-Type potencializa a satisfação de ver a paisagem passando rápido, com o bônus de uma boa música erudita tocada peloV6 de 380 cv. Você nem vai se lembrar do sistema de som.

DESTAQUES

  • Desempenho emocionante, raro de se ver por aí.
  • Grandalhão, não é prático para usar no dia a dia. É carro para quem está de folga.

NÚMEROS

  • Vai de 0 a 100 km/h em 5 s.
  • A 500500 reais, é um sonho distante do plebeus.

 

MERCEDES-BENZ SLK

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Na versão 55 AMG, o SLK é rival direto do F-Type, tanto em performance como em preço e em nível de equipamentos. Ambos têm medidas semelhantes no espaço na cabine e no porta-malas, ainda que o Mercedes tenha 32 cm a menos no comprimento.

A compra mais racional, se for possível falar nesses termos, é o 250 Turbo, por 230 900 reais. Tem bancos com ajustes elétricos, faróis de xenônio e monitor de pressão dos pneus. Seu motor 1.8 turbo de quatro cilindros está ligado à transmissão automática 7G-Tronic e desenvolve 204 cv e 31,6 mkgf. É o suficiente para garantir boas doses de emoção nas viagens e em passeios, mas não na pista.

Se você gosta de desempenho próximo ao de superesportivos (e tem como bancar 192900 dólares), oV8 5.5 de 421 cv do AMG torna o roadster um bólido difícil de alcançar. Tem coleiras eletrônicas para conter erros de pilotagem, mas seu controle de tração e estabilidade é permissivo. Mesmo com o ESP ligado, é possível brincar nas curvas. Outra joia mecânica da versão mais brava é a transmissão Speedshift Plus, uma caixa automatizada de dupla embreagem que faz trocas em meros 100 milissegundos. Para o SLK AMG, tempo é prazer. Só ele tem o Race Start, um assistente de largada que faz pequenos milagres em tomadas de velocidade. Até a capota é ligeira: abre em menos de 20 segundos.

O SLK equivale a dinheiro na mão. Trata-se de um raro caso de automóvel de luxo que tem seu público cativo. Os modelos das gerações anteriores desvalorizam menos que a média e não é difícil encontrar interessados neles. Em outras palavras, é um carro de nicho bom de revenda.

DESTAQUES

  • Mescla luxo, prazer ao dirigir e visual interessante. Tem mercado cativo.
  • Prepare-se para gastar com o seguro salgado.

NÚMEROS

  • AMG 55 tem 3,8 cv/kg.
  • A 192 900 dólares, custa o mesmo que um F-Type V6.

 

MINI ROADSTER

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O Mini Roadster dividiu opiniões na equipe de QUATRO RODAS. Há quem goste, há quem torça o nariz. O visual invocado e a agilidade de kart recebem avaliação positiva unânime.As críticas vão para o excesso de ruídos. Ele sofre com o piso ruim, pois a estrutura metálica da capota vibra demais nessa condição e a suspensão não filtra as imperfeições com eficiência. Sua especialidade é o asfalto bom, principalmente com muitas curvas, onde o pequeno mostra seu valor.

Dono de um centro de gravidade baixo, pouco peso, rodas aro 17 e muito torque em baixa rotação, permite acelerações explosivas. Em resumo, é o que mais oferece diversão por cada real investido.

Assim como o Jaguar, o Mini tem tradição britânica e influência estrangeira.A primeira foi adquirida pela indiana Tata Motors, enquanto a Mini passou às mãos da BMW. Outro sinal dos novos tempos: o Roadster S está equipado com o motor 1.6 turbo desenvolvido em parceria com os franceses da PSA. É o mesmo propulsor utilizado no carro da página ao lado, o Peugeot 308 CC.

O outro elogio é para a capota. Manual e simples de usar, permite o rebatimento ou fechamento em dois passos. Basta torcer uma alça no teto e levar a estrutura com o braço até o travamento na parte posterior. Para fechar, um botão destrava a cobertura, para que se faça a mesma tarefa ao contrário. A peça ajuda a reduzir peso, facilita a manutenção e contém gastos. O Roadster custa penas 13 000 reais a mais que o Coupé. Ou o mesmo que o Cabrio.

Testamos a versão John Cooper Works, a mais cara, vendida a 159 950 reais. A Sport parte de 139 950 e vai a 145 950 reais, na configuração Top.

DESTAQUES

  • Ágil, compacto, bonito e rápido, reúne mais qualidades em menos espaço.
  • A capota não isola o ruído externo. O carrro sofre com a buraqueira.

NÚMEROS

  • Fez 15 km/l em ciclo rodoviário.
  • A 120 km/h, em 5a marcha, medimos altos 73,3 dB.

 

PEUGEOT 308 CC

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O motor 1.6 THP compartilhado com o Mini é bem mais manso nos Peugeot. O 308 CC tem 165 cv, 46 a menos que o Roadster. Coloque na conta 350 kg a mais no francês e o resultado torna-se óbvio: o cupê cabriolet tem comportamento pacato e respostas comedidas ao acelerador. Ainda assim, longe de ser letárgico. No teste de aceleração, foi de 0 a 100 km/h em 9,9 segundos.

Um dos méritos do 308 está no design da carroceria. Bem resolvida e vistosa, agrada com a capota fechada ou aberta. Apenas ele e o SLK têm o teto rígido, rebatível eletricamente por um complexo mecanismo. Como o Peugeot tem a maior cabine - só ele carrega quatro com conforto -, precisa de 20 segundos para fazer a conversão. Além disso, é preciso que o carro esteja praticamente parado para que as engrenagens funcionem.

Se você pretende se divertir em família (ou entre amigos), fique com o 308 CC. Não há opção melhor. Nele, o assento mais legal é justamente o traseiro, por oferecer a chance de curtir a paisagem sem colunas nas laterais atrapalhando a vista.

Por ter capota rígida e mais espaço no porta-malas (266 litros), vai bem no dia a dia e pode até mesmo ser o segundo carro da família. Por dentro, é pratica- mente idêntico ao 308 sedã, em aparência e qualidade de acabamento, o que pode desanimar um pouco o comprador, considerando que o três-volumes custa a metade do conversível.Vem com comandos da capota e assentos esportivos, dotados de ventilação interna que sopra ar quente na nuca dos ocupantes. Considerando o 308 Feline, são 63 500 reais que o separam do CC, quantia suficiente para comprar um 500 Cabrio. Gostou?

DESTAQUES

  • Leva quatro e vai bem no dia a dia, quando a capota fica fechada e parece um carro comum.
  • É necessário parar o carro para acionar a capota.

NÚMEROS

  • Carrega quatro com conforto.
  • Rodas de 18 polegadas reduzem o conforto de rodagem.

 

FIAT 500 CABRIO

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Entre o fim dos anos 90 e o começo dos anos 2000, as montadoras inventaram uma tendência retrô, ressuscitando modelos do passado em uma nova leitura. A fórmula teve êxito parcial, pois poucos foram bem-sucedidos. O Fiat 500 é um dos casos de sucesso - o Mini Cooper é outro, vale dizer.

Embora não conte com a mesma variedade de configurações que o vintage inglês, o italianinho conta com alto poder de atração.À venda por aqui desde o ano passado, o 500 Cabrio é o único flex do quinteto, o mais barato e também o mais prático para uso diário. Por não ser um cabriolet convencional, consegue ampliar a sensação de segurança quando a capota está recolhida, já que as laterais da carroceria são idênticas ao 500 comum. Apenas a parte superior pode ser recolhida até o porta-malas, como se fosse um teto solar expandido.

Outras vantagens desse recurso são o ruído interno baixo e o custo de manutenção reduzido, se comparado com o rebatimento elétrico dos demais. A capota pode ser rebatida em duas etapas. Um toque no comando faz a tela se recolher até a região da cabeça dos ocupantes do banco de trás. O segundo toque tira de cena o vidro traseiro, que fica ensanduichado pela lona. O problema é que a visão traseira fica totalmente obstruída.

Sem proporcionar a liberdade dos demais conversíveis, acrescenta 8 000 reais ao preço da configuração top, na qual é baseado. Não se trata de uma pechinha, mas é pouco para este segmento. No entanto, o valor não inclui o som Alpine com Bluetooth, o ar-condicionado digital e o kit que inclui a opção entre duas cores de capota (preta ou vermelha), que combinam com os bancos de couro.

DESTAQUES

  • Preço menor e lateral rígida podem atrair quem não se sente confortável com um conversível.
  • A lona rebatida cobre a visão traseira pelo retrovisor central e impede o uso do porta-malas.

NÚMEROS

  • Por 62 290 reais, é o cabrio mais barato do Brasil.
  • Com 107 cv, desempenho não é seu forte.

 


Fonte: 4 Rodas


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